
Seremos ainda românticos
_ e entraremos na densa mata,
em busca de flores de prata,
de aéreos, invisíveis cânticos.
Nas pedras, à sombra, sentados,
respiraremos a frescura
dos verdes reinos encantados
das lianas e da fonte pura.
E tão românticos seremos,
de tão magoado romantismo,
que as folhas dos galhos supremos
que se desprenderem no abismo
pousarão na nossa memória
_ secas borboletas caídas _
e choraremos sua história,
_ resumo de todas as vbidas.
CECÍLIA MEIRELES
*"Estava precisando fazer uma faxina em mim... Jogar alguns pensamentos indesejados fora. Tirei tudo de dentro do armário e fui jogando no chão: desejos reprimidos, palavras horríveis que nunca queria ter dito, mágoas de um amigo... Mas, lá também havia outras coisas... e belas! Um passarinho cantando na minha janela, o pôr-do-sol... Sentei no chão, para poder fazer minhas escolhas. Joguei direto no saco de lixo os restos de um amor que me magoou. Aí, fui naquele cantinho, naquela gaveta que a gente guarda tudo o que é mais importante: O amor, a alegria, os sorrisos, um dedinho de fé para os momentos que mais precisamos... Recolhi com carinho o amor encontrado, dobrei direitinho os desejos, coloquei perfume na esperança, passei um paninho na prateleira das minhas metas, deixei-as a mostra, para não perdê-las de vista. Coloquei nas prateleiras de baixo algumas lembranças da infância, na gaveta de cima as da minha juventude e, pendurado bem à minha frente, coloquei a minha capacidade de amar e de recomeçar!
ResponderExcluir